Quinta-feira, 17 de Maio de 2007
Primeira Prova Cega
Para este primeiro evento e também um teste a nós próprios, decidimos escolher dis alentejanos, visto termos para a janta um magnífico acompanhamento: Carne de Porco à Alentejana!
Depois de procurar na garrafeira lá escolhemos dois tintos que muito dão que falar e escrever por esse mundo fora, agradando a uns e a outros nem tanto. E a escolha recaiu sobre:

T Terrugem 2001, da Quinta da Terrugem
Montes Claros Reserva 2004

Um tinto já muito conhecido e falado, com provas dadas em diversas colheitas, um tinto topo de gama feito só para alguns!
O outro um tinto que anda pela boca do povo, que agradou muitíssimo a uns, a outros mais ou menos e decepcionou mais alguns. E nós queríamos ver o que iria dar juntando este dois compatriotas num bom lanche.

T Terrugem 2001
Feito com Aragonez (90%) e Trincadeira (10%)
A expectativa era enorme, um vinho feito à moda do novo mundo, complexo, era a assim a sua definição, antes da prova. Foi decantado previamente, surgindo no copo muito calmo, escondido, perfeitamente descontraído, não era nada com ele, nem parecia estar ali. Com o tempo após uma boa conversa foi começando a conversar também connosco, dando a conhecer primeiro o seu lado "antigo", (de casa fechada) onde o couro, o cabedal, o alcatrão, o mofo, aquele cheiro de coisas de madeira antigas fechadas, as especiarias (pimenta preta).  Dava até para imaginar as teias de aranha nas paredes e em cima dos moveis!! A espaços a fruta negra mostrava-se, e pensamos nós se esta era a prova esperada! se terminava por aqui? E então começa o vinho a tagarelar mais um bocadinho e surge o seu lado floral, vegetal a elegância começava a se mostrar, erva molhada e notas de violeta com a fruta vermelha mais silvestre, mais viva, ameixa vermelha, ginja a compor o conjunto e assim se aguentou até perto do final. De referir que os taninos estão bem presente, são longos, bem feitos, são para agradar. No final da prova então surge que o nosso amigo parece pressentir o final da sua vida  e começa então a se tornar mais fechado, a lembrar o início da prova. Longo final. Complexidade é a sua palavra de ordem!  17,5 Val

Montes Claros Reserva 2004
Feito com Aragonez, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Tinta Caiada, estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho françês e americano e 6 meses em garrafa.
Aqui imperava a surpresa de saber se este tinto era capaz de mostrar o que foi dito dele e se era também capaz de "combater" perante um peso pesado!
E não é que foi!!! Grande surpresa geral, estávamos a espera de um bom alentejano, frutado, com bom corpo e este tinto conseguiu ter todas as características do alentejo , associado a uma boa frescura, com uma boa complexidade dentro dos aromas "alentejanos". Surge-nos logo de início cheio de força, vivo a dizer, eu estou aqui! Mostrava raça alentejana (o contrário do seu compatriota)!!! A fruta vermelha viva ameixa vermelha, framboesas, compota, baunilha, caramelo, acompanhado de tostado, leves torrados, o chocolate surgiu depois, bem nós ficamos atordoados com este início. Depois na boca os taninos comandavam a prova, bem associados e coadjuvados, com a fruta e um lado balsâmico a lembrar o mediterrâneo - ervas aromáticas, tudo num conjunto que pensava eu que iria se desmanchar, mas não, manteve esta vivacidade, esta frescura e complexidade de aromas frescos, vivos, até ao final, até às últimas gotas, do tipo que nunca desiste - até ao lavar dos cestos é vindima!  E mantem um final na boca longo e frutado ligeiro adocicado. Vivacidade é o mote neste vinho e excelente RQP - 17,5 Val


Decidimos empatar esta prova porque se por um lado temos a complexidade de aromas até a data nunca vistos por estas bandas, do tipo, a idade é um posto a permitir uma prova sempre agradável até ao fim e num vinho só é de assinalar. Temos por outro lado, uma botelha cheia de força, onde consgue mostrar o lado garrido do alentejo, e apaixona pela vivacidade que tem e que nós sentimos durante a prova. Tem um trunfo que é, sem dúvida, o preço! Que façam mais vinhos assim!
Autor: DSA
publicado por rui sousa às 23:01
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